LIÇÃO DE VIDA PARA O OCIDENTE
28 de abril de 2011
é policial no Japão (Fukushima). Foi enviada a um jornal em Shangai
que traduziu e publicou. Recebi ssa tradução, com a nota de ter sido
traduzida o mais fielmente possível ao texto original.
Como estão você e sua família? Estes últimos dias têm sido
um verdadeiro caos. Quando fecho meus olhos, vejo cadáveres e quando
os abro, também vejo cadáveres.
Cada um de nós está trabalhando umas 20 horas por dia e
mesmo assim, gostaria que houvesse 48 horas no dia para poder
continuar ajudar e resgatar as pessoas.
Estamos sem água e eletricidade e as porções de comida
estão quase a zero. Mal conseguimos mudar os refugiados e logo há
ordens para mudá-los para outros lugares.
Atualmente estou em Fukushima – a uns 25 quilômetros da
usina nuclear. Tenho tanto a contar que se fosse contar tudo, essa
carta se tornaria um verdadeiro romance sobre relações humanas e
comportamentos durante tempos de crise.
As pessoas aqui permanecem calmas – seu senso de dignidade
e seu comportamento são muito bons – assim, as coisas não são tão
ruins como poderiam. Entretanto, mais uma semana,e não posso garantir
que as coisas não cheguem a um ponto onde não poderemos dar proteção e
manter a ordem de forma apropriada.
Afinal de contas, eles são humanos e quando a fome e a
sede se sobrepõem à dignidade, eles farão o que tiver que ser feito
para conseguir comida e água. O governo está tentando fornecer
suprimentos pelo ar enviando comida e medicamentos, mas é como jogar
um pouco de sal no oceano.
Irmão querido, houve um incidente realmente tocante que
envolveu um garotinho japonês que ensinou a um adulto como eu uma
lição de como se comportar como verdadeiro ser humano.
Ontem à noite fui enviado para uma escola infantil para
ajudar uma organização de caridade a distribuir comida aos refugiados.
Era uma fila muito longa . Vi um garotinho de uns 9 anos. Ele estava
usando uma camiseta e um par de shorts.
Estava ficando muito frio e o garoto estava no final da
fila. Fiquei preocupado se, ao chegar sua vez, poderia não haver mais
comida. Fui falar com ele. Ele disse que estava na escola quando o
terremoto ocorreu. Seu pai trabalhava perto e estava se dirigindo para
a escola. O garoto estava no terraço do terceiro andar quando viu a
tsunami levar o carro do seu pai.
Perguntei sobre sua mãe. Ele disse que sua casa era bem
perto da praia e que sua mãe e sua irmãzinha provavelmente não
sobreviveram. Ele virou a cabeça para limpar uma lágrima quando
perguntei sobre sua família.
O garoto estava tremendo. Tirei minha jaqueta de policial
e coloquei sobre ele. Foi ai que a minha bolsa de comida caiu.
Peguei-a e dei-a a ele. “Quando chegar a sua vez, a comida pode ter
acabado. Assim, aqui está a minha porção. Eu já comi. Por que você não
come”?
Ele pegou a minha comida e fez uma reverência. Pensei que
ele iria comer imediatamente, mas ele não o fez. Pegou a bolsa de
comida, foi até o início da fila e colocou-a onde todas as outras
comidas estavam esperando para serem distribuídas.
Fiquei chocado. Perguntei-lhe por que ele não havia
comido ao invés de colocar a comida na pilha de comida para
distribuição. Ele respondeu: “Porque vejo pessoas com mais fome que
eu. Se eu colocar a comida lá, eles irão distribuir a comida mais
igualmente”.
Quando ouvi aquilo, me virei para que as pessoas não me
vissem chorar.
Uma sociedade que pode produzir uma pessoa de 9 anos que
compreende o conceito de sacrifício para o bem maior deve ser uma
grande sociedade, um grande povo.
Envie minhas saudações a sua família. Tenho que ir, meu
plantão já começou.
Ha Minh Thanh
DEZ COISAS A SEREM APRENDIDAS COM O JAPÃO
1 – A CALMA
Nenhuma imagem de gente se lamentando, gritando e
reclamando que “havia perdido tudo”. A tristeza por si só já bastava.
2 – A DIGNIDADE
Filas disciplinadas para água e comida. Nenhuma palavra
dura e nenhum gesto de desagravo.
3 – A HABILIDADE
Arquitetos fantásticos, por exemplo. Os prédios
balançaram, mas não caíram.
4 – A SOLIDARIEDADE
As pessoas compravam somente o que realmente necessitavam
no momento. Assim todos poderiam comprar alguma coisa.
5 – A ORDEM
Nenhum saque a lojas. Sem buzinaço e tráfego pesado nas
estradas. Apenas compreensão.
6 – O SACRIFÍCIO
Cinqüenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar
para os reatores da usina de Fukushima. Como poderão ser
recompensados?
7 – A TERNURA
Os restaurantes cortaram pela metade seus preços. Caixas
eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância. Os fortes
cuidavam dos fracos.
8 – O TREINAMENTO
Velhos e jovens, todos sabiam o que fazer e fizeram
exatamente o que lhes foi ensinado.
9 – A IMPRENSA
Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias. Nada
de reportagens sensacionalistas com repórteres imbecis. Apenas
reportagens calmas dos fatos.
10 – A CONSCIÊNCIA
Quando a energia acabava em uma loja, as pessoas
recolocavam as mercadorias nas prateleiras e saiam calmamente.
Fiquei perplexa com a diferença de comportamento para as tragédias que têm ocorrido aqui no Brasil. Aqui na minha cidade, em Niterói, ainda hoje têm obras reparando estragos das chuvas que ocorreram há um ano atrás, enquanto no Japão, uma estrada foi reconstruída em 6 dias! Precisamos tomar medidas que evitem o pânico, a calamidade e o sensacionalismo gerado pela impressa…














