revista coach 201709 (2)

É pelo computador?

Confira artigo publicado pela Revista do Coaching Brasil nº 52 (http://revistacoachingbrasil.com.br/)

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“Como assim … é pelo computador?” … Ah, tantas vezes ouvi isso … e tantas vezes ainda ouvirei.
Trabalho com processos formais de coaching remoto há 2 anos, pois processos informais devem fazer mais de 10, quando minha atuação era dentro das empresas. Lembro quando, há mais de 10 anos, falávamos em entrevista por telefone (não era nem por Skype) e isso simplesmente parecia um absurdo. Depois tivemos o acesso melhor a internet e ferramentas de comunicação instantânea que não contavam mais somente com a voz e sim com a imagem. Entramos na era dos e-learning, tanto os ao vivo como os gravados. Temos possibilidade de fazer vídeo conferência de nossos celulares em qualquer lugar que tenha transmissão de dados. Vemos os telejornais com múltiplos apresentadores ao mesmo tempo em diferentes localidades interagindo como se estivessem ao mesmo tempo no mesmo lugar. Temos o presidente da nação com o maior poderio militar do planeta impactando o mundo com até 140 caracteres de sua conta do Twitter. Ou seja, vivemos tempos bem modernos!!! Diante de tudo isso, por que um processo de coaching precisa ser mandatoriamente presencial? Escuto de alguns profissionais que processos a distância são impessoais, frios e que não tem a mesma qualidade … é um ponto interessante … vamos há alguns dados.

Segundo Morgam, Harkins & Goldsmith (2004), no livro “The Art and Practice of Leadership Coaching” eles trazem alguns dados sobre a entrada do coaching no mundo empresarial, inicialmente como instrumento para recuperação de performance (ou seja, só fazia coaching quem estava muito mal na empresa). Com os resultados, foi percebido que com se esta metodologia ajudava quem estava com dificuldades, poderia fazer muito bem para quem tinha boa performance, adquirindo parte do viés que tem hoje, de meio para aperfeiçoamento e não apenas correção. Este movimento veio muito forte nos Estados Unidos, quando os processos eram feitos em um bom número por: telefone. Isso mesmo, através de uma ligação telefônica, e nem era celular, nem tinha viva voz, capaz até de ser telefone de disco. Ironias tecnológicas a parte, a questão é que não é uma ferramenta nova a possibilidade de realizar processos a distância.

Vamos mais longe? Aos que tiveram oportunidade de estudar um pouco sobre Freud, lembrarão que ele trocava correspondências com alguns de seus pacientes e utilizava isso como parte do processo de análise dos mesmos … e isso há 100 anos atrás … imagina o que Freud faria na era do WhatsApp!!! Mais um exemplo? Nos Estados Unidos existe uma plataforma na web, com altos níveis de desempenho e eficácia, para dar suporte a quem tem transtorno de ansiedade e está em momento de crise … além de ser baseada na internet e consequentemente a distância, o atendimento é feito por um robô, não há interação pessoa – pessoa e mesmo assim o processo é muito eficaz.
Estes são só alguns exemplos. Claro que não estar presente fisicamente muda algumas coisas, algumas informações são transmitidas e recebidas de forma diferentes. E nisso é bom lembrar que o ser humano é dotado de mais de um sentindo, quando uma forma de percepção é privada, outras se sobressaem.

Estar remoto (sem imagem) faz com que, naturalmente, se tenha muito mais atenção em tudo que a voz comunica (que não é só a fala). Do lado do coachee, também permite este a se concentrar mais em si mesmo, uma vez que ele não tem “ninguém o olhando”. E sim, eu já recebi este comentário de clientes. Duas outras grandes possibilidades do coaching remoto para o coachee é não ter que gastar tempo e dinheiro em deslocamento, além da flexibilidade de agenda. Pode cuidar do seu desenvolvimento onde quer que esteja, desde que com acesso a um telefone ou computador e que se sinta confortável para fazer uma sessão de coaching.

Vejo também que a modalidade de coaching remoto é mais aceita para alguns tipos de público, como pessoas com perfil mais prático e também que já estejam acostumadas com reuniões e relacionamento a distância. Coaching remoto é apenas uma opção óbvia e natural para este público. Pode ser aplicado a qualquer público, pois a conexão Coach-coachee ocorre pela técnica do Coach, não por estar presencial. O estado de flow ocorre do mesmo jeito … talvez até melhor.

Para quem nunca fez uma sessão de coaching remoto, a percepção de viabilidade e benefício desta modalidade é muito influenciada pela cultura e construção de valores. Para quem já passou por uma experiência, sua opinião é formada pela habilidade e naturalidade que o Coach conduz o processo e faz o coachee chegar a resultados. Podem existir preferencias, mas com certeza, não existem limitações além das próprias do processo de coaching … tem dúvida? Experimente, teste, converse com um colega Coach que trabalhe assim e peça para fazer uma sessão … você se surpreenderá.

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Quem sou eu? Sou Cibele Sanches, atuo na Rumo Coaching & Consultoria e atuo com desenvolvimento de pessoas e organizações. Como faço? Usando meus mais de 16 anos de experiência com Recursos Humanos e desenvolvimento de pessoas, atuando em ambientes complexos e de mudanças em empresas multinacionais e nacionais. Sou formada em Psicologia (UFRGS), com MBA em Gestão Empresarial (FGV), MBI en Indústria Avançada (FIESC/SENAI), Formação em Dinâmica dos Grupos (SBDG) e estudo coaching desde 2002 (sim, isso mesmo 🙂 )

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