Processo de coaching … furada ou trabalho sério? (Sim, o texto pode ser polêmico)

Eu havia dito para mim mesma que, tão cedo, não escreveria mais sobre coaching. Por que? Por causa da triste (para não dizer vergonhosa) banalização do método. Nos últimos dias sucessivas pessoas vieram conversar comigo sobre o que de fato é coaching e se serve para algo ou não. De tantas perguntas respondidas, pensei que valia a pena um artigo de esclarecimento. Antes de continuar, gostaria apenas de dizer que estudo coaching desde 2002 e trabalho com a técnica desde então, em diferentes ambientes, contando com diferentes estudos para suportar minha atuação.

Coaching não é algo novo. Na história recente, temos o termo no mundo dos esportes onde coach significa treinador. Treinador é um profissional que instrui e orienta atletas sobre técnicas e estratégias no referido esporte.

No mundo dos negócios, passou a ser encontrado a partir da metade do século XX. Inicialmente ligado a recuperação de desempenho (sim, você estar em um processo de coaching não era por um bom motivo na época). Com os resultados positivos alcançados com quem precisava recuperar performance, alguém pensou “e se usássemos isso com quem não é problema? ” E aí o coaching passou a ser utilizado como processo de melhoria e não de correção, onde temos hoje o coaching sendo um processo focado de melhoria acelerada, que extrai o melhor da pessoa. (Fonte: Morgam, Harkins & Goldsmith. The Art and Practice of Leadership Coaching, 2004).

Em tempo, sempre válido esclarecer: coach é o profissional que conduz o processo, coaching é o processo e coachee é o cliente do processo.

Vamos lá … o que não é coaching (pelo menos falando em processos sérios): palestra, autoajuda, um manual de como ter sucesso na vida, uma lista de respostas, simplesmente pensar positivo, exemplo de superação de dificuldades ou de alcance de sucesso, lição de moral, etc (já fica a dica de como escolher o profissional … ).

Processo de coaching começa por ser um processo e não apenas uma intervenção. Lembrando que processo (em linhas gerais) é uma ação continuada, com um início, meio e fim. Coaching é construção, ou seja, o foco está no cliente, não na história do profissional que o está atendendo. Ou seja, não é para fazer o cliente ficar igual ao coach. Ou fazer o cliente ficar igual a algum modelo arbitrariamente escolhido pelo profissional.

Coaching não se aplica para tratar emoções, situações passadas ou traumas, isso é do campo da terapia (vale procurar um bom psicólogo). Pois coaching não é terapia (mesmo que possa ser aplicado por profissional da psicologia). Também não é hipnose e reprogramação mental (mesmo que algumas ideias sejam mesmo mudadas), estes são outros métodos.

Coaching foca nas possibilidades presentes e futura. É totalmente direcionado a ação e tem um objetivo claro, definido e contratado no início do processo. O que determina o fim do processo é chegar neste objetivo e não um número “mágico” de sessões. Ainda: “Coaching destrava os potenciais da pessoa para maximizar seu crescimento” … frase não é minha é de John Whitmore (referência em coaching para melhorar desempenho) e é muito verdadeira. Um bom processo de coaching tem as técnicas escolhidas para o seu momento e seu objetivo (ou seja, foco em você, cliente) e não uma lista de ferramentas com ordem definida sem nem mesmo conhecer você e seu objetivo. Também não é simplesmente uma instrução de como desafiar seu meio independente das consequências …. Já vi isso acontecer em situações corporativas onde bons profissionais tiveram orientação de coach que não entendia como o mundo corporativo funciona e acabou prejudicando a imagem de bons profissionais frente a seus grupos. Coaching trabalha a auto responsabilização, ou seja, coloca o cliente no centro e mostra que seus resultados são frutos de suas ações … e por isso também estimula a ação.

Quando se precisa de processo de coaching? Não é porque apareceu um anúncio na sua linha de tempo na rede social, é quando você precisa de um apoio para tirar um objetivo seu do papel ou mesmo poder clarificar objetivo, como, por exemplo, próximos passos de carreira ou empreender. Também serve como apoio para desenvolvimento de liderança, melhoria de algum comportamento no seu trabalho (por exemplo: lidar melhor com pressão, aumentar desempenho, aprender a equilibrar cargas de demandas, posicionar-se melhor, entre outros).

Como escolher um profissional? Bom, minha dica é procure consistência, solides e fuja das receitas mágicas, da série de indicações de livros de autoajuda e do marketing digital. Procure profissionais que trabalhem com comportamento, converse com eles. Se você é do mundo corporativo, busque profissionais que tenham vivido neste mundo, eles terão maior facilidade em entender seus desafios bem como o cenário que você habita. Questione sobre como escolhem as ferramentas para o trabalho, como se formaram, como customizam o processo a sua demanda … você saberá separar se o foco está em você (cliente) ou no dito coach.

Espero que este texto tenho ajudado e eu desejo a você um ótimo desenvolvimento, independente da técnica que você escolher 😉

Cibele Sanches

Cibele - Rumo

Multi Especialista em RH e Especialista em 4ª Revolução Industrial